Displasia da Anca

Esta doença é definida como uma deformação da articulação coxofemoral (anca) que se desenvolve durante o período de crescimento. Vários factores causam o seu aparecimento, como factores genéticos, excesso de peso e de exercício no período de crescimento, e todos eles contribuem para a incongruência da articulação. Á medida que o cão exerce peso sobre esta articulação durante a sua actividade física normal, pode eventualmente desenvolver-se artrite, caracterizada por várias alterações degenerativas acompanhadas de dor. O grau de dor e claudicação observados está geralmente dependente da extensão das alterações artríticas presentes na articulação coxofemoral. 

A maioria das raças pode sofrer de displasia da anca embora esta seja detectada predominantemente em raças de maior porte, como o Pastor Alemão, o São Bernardo, o Retriever do Labrador, o Pastor Alemão, o Rothweiller entre outras. Machos e fêmeas são igualmente afectados, não havendo, estatisticamente, predilecção sexual para a sua manifestação.
Os sinais típicos de displasia da anca são fraqueza e dor nos membros posteriores, incoordenação no andamento e relutância em se levantar após períodos de descanso. A musculatura dos membros posteriores pode eventualmente sofrer atrofia no decurso da doença. Muitos donos referem que o cão manifestou dificuldade em se levantar de uma posição de decúbito, durante semanas ou meses; claudicação e dor desenvolvem-se subsequentemente. Mais uma vez, a severidade dos sinais e a progressão da doença normalmente estão correlacionados com a extensão da artrite. Os sinais clínicos podem ter início precoce (4-6 semanas de idade), mas a maioria dos cães têm manifestações de doença entre o primeiro e o segundo ano de idade. Os cães com displasia ligeira e artrite suave podem não manifestar dor antes dos 6 anos de idade.

O diagnóstico presumptivo é feito com base na história, raça e sinais clínicos. Um cão de raça grande que tenha tido dificuldade em se erguer durante vários meses e que agora claudica é forte suspeito de sofrer de displasia da anca. Um cão que se recuse a levantar ou a andar também deve ser considerado candidato.
Como existem outras doenças com sinais clínicos semelhantes, o diagnóstico final só pode ser feito mediante achados radiográficos específicos. Para obter as radiografias indicadas, os cães devem ser cuidadosamente posicionados na mesa de radiografia. Este procedimento requer a utilização de anestesia ligeira ou sedação profunda. As radiografias são então avaliadas, detectando-se alterações na conformação e posicionamento dos vários componentes articulares, bem como sinais de alterações degenerativas  nos mesmos.

O grau de sinais clínicos e alterações artríticas nas articulações determinam a abordagem específica a cada caso. O tratamento da displasia da anca pode envolver a utilização de medicamentos, cirurgia, ou ambos, juntamente com algumas alterações ao exercício e dieta.

Drº Ricardo Baptista, Director Clinico da CVST – Centro Veterinário de Santo Tirso e Centro Veterinário de São Tomé

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